quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Amor musical

                                                   O ônibus verde.
Daucemar e Ladisflaw de mãos dadas atravessaram a praça em direção ao terminal rodoviário urbano. Entraram no ônibus verde e como sempre se acotovelaram em pé entre muitos como eles que dependiam daquele tipo de transporte. Em seguida sacolejando muito, o veículo se dirigiu para a saída do terminal e seguiu pelas ruas da cidade em direção à periferia.
La pelas tantas entraram mais alguns passageiros que foram se encaixando entre os que já se encontravam apertados e cada vez mais sufocados naquele calorão.
Mais alguns metros um cidadão começou a cantar uma música gospel numa voz até bem entoada, porém totalmente sem propósito naquela hora. Pois foi o que deu; os demais passageiros começaram a se inquietar mais naquele desconforto e reclamar mandando ele calar a boca. Quanto mais reclamavam, mais alto ele cantava a canção como se não fosse com ele, parecia estar em transe.
Sem conseguirem calar o homem resolveram vaiá-lo cada vez mais alto, o calor e o desconforto foram tomando conta das pessoas até que o motorista parou no acostamento e levantando-se do seu lugar perguntou o que estava havendo e todos se calaram apenas o cantor continuou, sem saber o que fazer o motorista pediu que o homem se calasse, mas ele continuava ignorando a todos naquele estado de êxtase musical.
Como o ônibus estava superlotado e o cantor estava bem no meio do corredor, ele não tinha acesso para pegá-lo pelo braço e convidá-lo a retirar-se ou calar-se, mesmo que para isso tivesse de usar a energia que a sua posição lhe permitia.
E o homem nada, continuava a cantar de olhos fechados. Sem saber mais o que fazer o motorista pediu que todos saíssem do veículo e se colocassem na calçada para que o senhor cantor pudesse descer. Todos os “trocentos” passageiros foram saindo e se postando do lado de fora, causando admiração nos transeuntes que por ali passavam e também foram parando para ver o que acontecia.
O motorista com a camisa empapada de suor por conta do calor de quase quarenta graus finalmente alcançou o cidadão cantor e o pegou gentilmente pelo braço. Desceu os três degraus segurando firme o senhor musical que continuou cantando sem desafinar a sua musica preferida. Mais alguns minutos e a ambulância que havia sido chamada pelo cobrador encostava ao lado do ônibus.
Com cuidado e gentileza os paramédicos o colocaram deitado na maca sem que ele reagisse, apenas continuou cantando...


Daucemar e Ladisflaw assistiram a tudo e me contaram, é claro.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Como lavas secas



                                       Torne suas pedras leves, como as lavas secas.

Todos os dias uma quantidade de pessoas pelo mundo acorda com o diagnóstico de CÂNCER.
A partir desse momento instala-se uma insegurança indescritível, uma sensação de que entrou numa montanha russa onde não quer ficar e não sabe como descer. Quer acordar do pesadelo, mas a realidade cada vez é mais causticante e permanece tirando o sono e a pessoa quer “sair de si”, sem querer morrer. Pavor, desespero e finalmente entrega, desânimo. Como sair disso tudo?
Primeiro é preciso parar de perguntar para si e para todos: POR QUE EU?
Por que não você?
Quando fazemos esta pergunta fica estabelecido a nossa pretensiosa forma de pensar; se não veja;
Se alguém apanhar no tronco até a morte, se alguém for estuprado, se alguém for esquartejado, se furado os olhos em vida, for queimado vivo, se ficar tetraplégico, se tiver um filho com alguma anomalia, tudo bem, desde que não seja EU?! Chocante, não é? Mas é assim que pensamos, talvez por autodefesa, auto preservação? Não sei. Mas procuro pensar em vez de POR QUE EU, pensar; O QUE SERÁ QUE ISSO QUER DIZER EM MIM? O que será que eu devo fazer para entender isso? Eu penso em me observar de fora para dentro, tipo assim:
Quando estou dando minha opinião sobre algo ou ALGUÉM, não é ali um dos pontos em que devo melhor me observar? COMO EU SOU COMO PESSOA NA SOCIEDADE ONDE VIVO? O que faço em meu benefício e em benefício dos meus semelhantes dentro e fora da minha família? Como eu ajo com relação àqueles que trabalham e me servem de uma forma ou de outra? Como eu vejo o meu semelhante? Sou sincera (o) e gentil? Sou educada (o) e respeitosa (o)? Considero o meu semelhante IGUAL a mim? COM OS MESMOS DIREITOS?
E o PERDÃO? Como faço para perdoar aqueles que até aqui estavam na minha lista de IMPERDOÁVEIS?
Quando vivenciarmos todas essas respostas de verdade e reformularmos nossas convicções e estruturas de pensamento e comportamento e nos voltarmos para o BEM, começaremos a nos curar, quer seja de câncer ou outra doença degenerativa.
Policie-se; este é o caminho para atingirmos a meta das estruturas mentais e físicas equilibradas que nos afastam das doenças e tragédias, pois mesmo trazendo na nossa “mochila do além” para esta vida, esta encarnação, algumas pedras, elas poderão ficar muito leves, tão leves como as lavas de vulcão esfriadas. Aquela mesma; a pedra pome que esfregamos nos calcanhares e bóia na água.
Já pensou que uma pedra pode ser leve?
E para completar, algumas palavras de Jesus:


“Vinde a mim, todos vós que sofreis e que estais sobrecarregados e eu os aliviarei. Tomai do meu jugo sobre vós e aprendei de mim que sou brando e humilde de coração e encontrareis o repouso para vossas almas; porque meu jugo é suave e meu fardo é leve.”
(São Mateus, cap.Xl, v.28,29 e 30)

Este texto foi postado anteriormente em setembro de 2011.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O Drosômetro

                                            Continho de nº 5



(tão bom quanto o perfume, aquele)


As três palavras dessa vez são: DROSÔMETRO - REPOLTREAR-SE - SAFARDANA.


De posse do DROSÔMETRO lindo e lustroso que havia pedido emprestado do tio da d. Amélia, seu Idílio entrou em casa ansioso para ver se estava tudo funcionando, pois se havia uma coisa imperdoável para o seu Idílio era receber o empréstimo perfeito e devolver danificado e ele não iria fazer isso com o amigo, mas antes precisava ter certeza que veio perfeito. Levou-o para o quarto em busca da flanela amarela. Lustrou-o por algumas horas até que Gesebel veio bater na porta chamando-o para o almoço. Olhou o relógio de pulso, conferiu com o da parede e adentrou a sala de almoço onde uma mesa posta e bem ordenada ostentava alguns pratos apetitosos. Assim que se sentaram à mesa o sino da matriz tocou as doze badaladas, seu Lírio respirou fundo, pegou os talheres no que foi acompanhado metodicamente por Gesebel. Almoçaram em silêncio como de hábito.
Seu Idílioio era um poeta, sonhador de uma cadeira na Academia de Letras da cidade, o tema principal de suas obras eram as rosas e o orvalho, citadas praticamente em todos os seus poemas. Seus amigos de sarau que faziam parte do Clube dos Poetas Vivos, quando longe dele comentavam a teimosia com as rosas orvalhadas, já estavam cansados de ouvir falar de rosas, parecia que só mudava a cor, a rosa era a de sempre. Mas naquela noite seu Idílio iria fazer uma experiência; Colocou o DROSÔMETRO no jardim e se dirigiu para dentro de casa para REPOLTREAR-SE de olhos fechados organizando o novo poema que recitaria no próximo sarau, no sábado. Só havia uma coisa que aborrecia demais o seu Idílio, eram alguns participantes do sarau. Uns incompetentes, sem estilo e uns fofoqueiros, o Dagoberto mesmo, era um verdadeiro SAFARDANA que vivia copiando os seus versos, colocando na Internet e assinando como seus.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Uma tarde sem remédio

                                                   Uma tarde sem remédio...
Logo à entrada do salão um enorme totem listava em ordem alfabética as doenças “básicas”, aquelas que quase todos conhecem e estão na boca do povo. Quem quisesse se aprofundar nos sintomas e detalhes além da medicação adequada era só procurar no site da associação, disponível em vários computadores espalhados pela sala.

Acne, Adenite, Afonia, Afta, Albuminúria, Alcoolismo, Amenorréia, Amigdalite, Anasaraca, Anemia, Angina, Antraz, Apendicite, Apoplexia, Ardor de Urina, Arteriosclerose, Artrite, Asma, Blenorragia, Boubas, Bronquite, Cobreiro, Cólicas, Dentição, Diabetes, Diarréia, Disenteria, Eczema, Epilepsia, Erisipela, Escarlatina, Escorbuto, Estômago, Gota, Hemorragia, Hemorróidas, Icterícia, Impotência, Influenza, Insônia, Leucorréia, Menopausa, Nefrite, Nevralgia, Obesidade, Opilação, Resfriado, Pesadelos, Sarampo, Tinha, Tosse, Urticaria, Verrugas.

O que provocou em Demétrio um ataque de pelanca, já que ele deixara por escrito que estavam faltando doenças interessantíssimas que mereciam destaque como se formassem um buquê de flores à entrada. Andou de um lado para outro no salão entulhado de pessoas que jamais se denominariam de hipocondríacos, não! Eles eram apenas apreciadores de remédios, colecionadores de bulas e de caixinhas escolhidas pelo laboratório ou doença de sua simpatia. Inclusive havia um escambo de bulas e caixas para todo lado. As caixinhas e bulas eram abertos e colocados em pastas enormes que mais pareciam livros de registros e cartório. Demétrio parou e se encostou à parede para tomar um fôlego e entrar na fila para medir a pressão e avaliar a glicemia. O suor lhe escorria pelo pescoço e pelas costas enquanto seu pensamento entrava em pânico ao se lembrar de algumas doenças cujos sintomas batiam com os que ele estava sentindo agora. Batimentos cardíacos altíssimos e suores abundantes além da progressiva falta de ar. Sua pele empalideceu enquanto petéquias apareciam discretamente, pelo menos era o que ele via e identificava. Estava quase apoplexo. Respirou fundo, fechou os olhos e procurou se acalmar, devolvendo um sorriso pálido para o seu amigo que se aproximou também entrando na fila e pouco se importou com o estado dele. Pouco a pouco Demétrio voltou ao normal e até se distraiu comparando as bulas do amigo com as dele. Pouco depois de passar pela avaliação dos sinais vitais como era de praxe antes da sessão, tomou um pouco de água filtrada três vezes, e trocou uma bula de remédio para Beribéri por duas de remédio para esquizofrenia e esquistossomose. E considerou que fez um ótimo negócio.
Mais um pouco e um apito em três volumes avisava que a sessão estava tendo início. Logo que a sessão começou alguns retardatários, eufóricos e suarentos, se acotovelavam para tomar seus lugares e deixar para depois as trocas.
Aquelas pessoas visivelmente ansiosas não perdiam um só dia de reunião para se atualizar com o que há de mais moderno na ciência médica. Eles pertenciam ao Remédio Clube do Brasil, assim como tantas outras agremiações espalhadas por ai e reuniam-se todas as semanas; hoje era um dia desses.

Um homem de jaleco branco trazendo bordados uma cruz vermelha no peito e outra no braço, carregando um vistoso estetoscópio no pescoço, foi quem abriu os trabalhos da tarde...

Dona Bercides

                                                                Dona Bercides

                                                     * 2/02/1908  -   + 05/08/1995
Eu nasci quando minha mãe já estava com 38 anos, por conta disso e de crescer entre adultos sou esquisita desse jeito. Lembrei-me disso por ser hoje a data de nascimento da minha mãe, dia de Nossa Senhora dos Navegantes, Yemanjá e Nossa Senhora por assim dizer. Como ela foi criada dentro de muita religiosidade católica, foi alfabetizada por freiras, ela sempre fez parte das atividades festivas da Igreja. Encarnou várias personalidades bíblicas nas procissões, como Verônica, por exemplo, a que cantava com o Santo Sudário, coroou Nossa Senhora uma quantidade de vezes, o que a enchia de um orgulho puro, de amor aos simbolismos católicos. Porém na época do meu nascimento, ao ter contacto com a doutrina espírita, ela deu uma guinada nos seus conceitos e mergulhou de cabeça no espiritismo, onde honrou com seu trabalho e dedicação sincera os ensinamentos de Jesus. Adorava tomar café e vivia pedindo às filhas para que dessem café aos pedintes na porta em “intenção” a ela, como falava. Há alguns anos atrás aconteceu uma coisa interessante. Eu morava em Campinas-SP, ao lado de uma padaria e raramente alguém vinha bater na minha porta para pedir alguma coisa, talvez porque pedissem na padaria, não sei. Certa tarde eu estava fazendo café (também adoro café) e comecei a me lembrar dela, do quanto ela gostava de saborear um cafezinho fora de hora, quando tocou a campanhia e fui atender. Era um homem bem velhinho que pediu um copo de café, ofereci pão também e ele foi bem objetivo:
 “- Não dona, eu estou doido de vontade de tomar um café, só isso, a senhora pode me dar um copo de café?”-
Nem preciso dizer o quanto me comovi ao lembrar do seu pedido e de poder realiza-lo dessa maneira.
É isso; falar de dona Bercides que viveu 87 anos com dignidade, amor ao próximo e aos animais, totalmente dedicada à família, sem deixar de servir a quem precisasse, levaria um tempo sem fim, daí que apenas guardo na lembrança os bons e divertidos momentos que passamos juntas.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Sem cor e sem perfume

Continho n 6


                                              Sem cor e sem perfume
Construído a partir de três palavras escolhidas aleatoriamente no dicionário.
                                  MACAMBÚZIO - MIXÓRDIA - VALETUDINÁRIO

O homem envelhecido era de compleição miúda e em nada dava idéia do que lhe passava na cabeça de cabelos ralos e avermelhados pela tintura de má qualidade. Talvez ou provavelmente, não passasse nada, apenas vivia. De terno escuro e surrado configurava bem a imagem do papa-defunto. Durante o dia todo passava na pequena sala de cortinas abaixadas onde o cheiro contínuo de flores frescas pairava no ar, porém seu enorme nariz cheio de comedões, mais conhecidos como cravos, não identificava mais qualquer tipo de cheiro, bom ou ruim. Ele próprio exalava um cheiro estranho de flores mortas, como mortas eram as pessoas que ele arrumava e colocava no caixão. Fazia isso desde jovem, porém sem nenhuma emoção. Aliais seu primeiro e único emprego até os dias de hoje, porém tinha muito respeito pelo seu trabalho; Para ele todas as pessoas eram filhos de Deus e mereciam descansar em paz limpos e vestidos com cuidado, apenas isso, nada mais. No final de cada dia saía a passos lentos em direção a banca da esquina para comprar o jornal e em seguida ia caminhando até a casa humilde que retratava bem a pessoa que se tornara. Geralmente MACAMBÚZIO, parava antes no boteco da esquina para comer um sanduíche de mortadela e um copo de café com leite, muito mais leite do que café, como era de gosto. Abriu a porta dos fundos da casa enfiou a mão rastejante pela parede até encontrar o interruptor e acionou a pequena lâmpada que não iluminou mais que o equivalente a uma vela acesa, em seguida entrou no pequeno cômodo mal cheiroso e tão escuro que nem dava para avaliar a MIXÓRDIA que ia lá dentro. Um corredor apertado entre pilhas enormes de jornais permitia que ele atravessasse o ambiente para o próximo cômodo onde uma cama cheia de restos de cobertas sujas o aguardava para o merecido descanso daquele corpo VALETUDINÁRIO, que nada mais fazia do que sobreviver um dia após o outro, sem cor e ser perfume.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Um pouco mais de veneno

Fotografando pela rua novamente.
Quando eu morava em Tupã, tinha por costume fotografar placas de lojas e propagandas diversas da cidade e durante o ano inteiro em que morei lá postei muitas coisas, referentes ao assunto. Para os mais ligados poderão dizer: - Será que na “terra de sol e mar”, na “ilha da magia” não têm dessas coisas? Tem sim, claro que tem e de vez em quando me lembro de fotografar, só que geralmente não estou com a máquina e o meu celular não dá para eu repassar a foto, daí hoje eu me lembrei de uma loja que fica perto onde almoçamos eu e o Adalberto, e que acho o nome muito interessante, daí  fui fotografar. No mínimo é um nome estranho, a gente entende, mas fica um “travo” de critica pairando no ar.

  A duvida que fica é: estamos calçando pés calçados? Pensei que calçávamos pés descalços...
                       Convite para o Bailão animado pela dupla Chiquito e Bordoneio (?)
Também tem muitas dessas plaquinhas de chamada para as noitadas com show na praia dos Ingleses que me fazem sorrir pela criatividade, mas até agora só fotografei essa da dupla cantora que achei interessante. O que será Bordoneio?

Essa é do tempo de Tupã, eu a fotografei numa cidade próxima; Rinópolis, bem na praça...   
Eu só queria tirar a dúvida se escolha já não é opção?

31 de Janeiro de 1910

Hoje o meu pai, este elegante rapaz ai de cima, se estivesse vivo estaria aniversariando e completando 102 anos. Como já mencionei aqui,  uma pessoa muito inteligente, culta e carinhosa. Nos deixou cedo aos 67 anos...
Parabéns meu pai e amigo. Receba meu carinho onde estiver.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Diabete

                                                                  Diabetes
Pois é; arrumei mais uma encrenca para me aborrecer. Estou diabética.
Estou com DIABETES ll OU DIABETES SENIL (Credo!)
De agora em diante faço parte do grupo das “etes”, Chacretes, Silvetes, Xuxetes e diabetes (?) o pior é que ela também se denomina senil... SENIL? Será que já cheguei lá? Aff...
Me tornei uma DOCE mulher ou uma mulher doce... (será?) ;) mas sempre uma DIABETE aquela que ninguém aguenta e que é pior do que pimenta. (ãaaa?)
Só para terem uma idéia onde me meti, vejam a notícia que peguei na internet das muitas que li, mas basicamente é isso. Tirando o emagrecimento acelerado que o problema proporciona o que me daria muita alegria, o restante é só encrenca e infelizmente não posso dizer que seja uma doce encrenca.
No Brasil, estima-se que o diabete afete cerca de 9 milhões de pessoas, sendo que 50 % ainda desconhecem tal fato. Desses, 23 % não se preocupam em se tratar. São 24 mil vidas perdidas por ano para essa patologia, só no nosso país. E no mundo, é a quarta causa de mortes.
Existem dois tipos de diabetes:
• Tipo 1 - (ou juvenil) - Se manifesta logo nos primeiros anos de vida, pela impossibilidade da produção de insulina.
• Tipo 2 - Conhecido também como diabetes senil. Apesar de tradicionalmente, manifestar-se entre os 30 e 40 anos, hoje é bastante comum entre adolescentes. Isso está associado ao estilo de vida sedentária, com alimentação desregrada e estresse.

E é sobre o Tipo 2 que falaremos a seguir:
É uma doença crônica e por esse motivo, deve ser controlada. Caracteriza-se pelo aumento da taxa de glicose no sangue a níveis considerados acima do normal (obs.: a taxa normal de glicose no sangue, em indivíduos normais varia entre 60 a 110 mg %, em jejum de 12 horas).
A insulina é o hormônio secretado pelo pâncreas e possui a função de quebrar as moléculas de glicose para favorecer as reações químicas e metabólicas, assegurando assim o funcionamento dos tecidos e órgãos do organismo.
Quando o pâncreas apresenta produção insuficiente de insulina ou quando ocorre pouca sensibilidade do organismo à ação desse hormônio, nos tornamos diabéticos.
Não se tem conhecimento da causa exata desse diabetes, porém existe uma série de fatores que contribuem no seu aparecimento:
* Alimentação Inadequada (Rica em carboidratos concentrados, tais como: doces, açúcar.)
* Estresse
*Hereditariedade (Existe uma predisposição hereditária em adquiri-lo se houver algum familiar que apresenta essa doença.)
* Obesidade
*Vida Sedentária
Fique atento aos principais sintomas:
* Sede e fome excessiva
* Emagrecimento rápido
* Urinar com freqüência exagerada
* Dificuldade de cicatrização em cortes e machucados
* Desânimo e indisposição para realizar tarefas do cotidiano
* Cansaço e irritabilidade
* Náuseas e vômitos
Saiba que esse diabetes pode ser controlado através da prática de exercícios físicos, dieta balanceada e/ ou medicação (comprimidos e injeções de insulina).
É importante que se cuidar, pois se não for tratada, pode acarretar doenças como: derrame, infarto, cegueira, amputação das pernas, insuficiência renal, paralisia e impotência sexual.
Ao notar esses sintomas, não deixe de procurar o seu médico. Apenas esse profissional poderá auxiliá-lo no diagnóstico e no controle do diabetes.
Fonte: Revista Veja

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A Tatuagem

A tatuagem
Dilermando era um homem sério, de pouca fala e muito reservado. A única fraqueza de Dilermando eram as tatuagens, não dele; as dos outros. Era um apaixonado por aquelas figuras coloridas enormes que tomavam grande parte do corpo. Mas imagina só se ele iria fazer uma tatuagem naquele corpo feio e desengonçado?! Não. Quisera ter a coragem... mas não...não tinha, até que no dia do seu aniversário acordou com um pensamento lhe atormentando.
E se finalmente fizesse a tão sonhada figura nas costas, bem grande e colorida? Sabe aquele dragão chinês imenso colorido, cheio de curvas e movimentos revoltos? Sim, aquele mesmo, o grande dragão, até porque era o signo dele no horóscopo chinês. Nascera no ano do dragão, 1964. Nada mais justo que dar-se um presente que ele realmente gostaria de ganhar, ou fazer; uma Tatoo bem lindona, bem colorida.
Dirigiu-se ao segundo andar daquele prédio antigo, cheio de salas de ofícios diversos. Só relojoeiros tinha uns quatro, mas a última sala era a do Tatuador que se denominava como todos Tatoo, na verdade o tatuador se chamava Wanderley, mas seu nome artístico era Deley; Tatoo Deley. Criatura impressionante. Tinha o corpo todo coberto das mais diversas figuras um resto de barba abaixo do queixo, algo esfiapado e ralo na base do rosto que não podia ser chamado de cavanhaque, metade da cabeça raspada mostrava mais figuras, alguns piercing dos mais diversos modelos estavam distribuídos pelo corpo semi nu, alguns brincos e alargadores imensos que fariam inveja aos índios botocudos.
Quando Dilermando entrou na pequena sala, ficou hipnotizado por aquele mundo que ele tanto queria fazer parte. Parou no centro do ambiente olhando demoradamente para as fotografias e recortes de revistas onde corpos tatuados eram destaque e cobriam as paredes. Uma maca e uma cadeira reclinável faziam parte do mobiliário. O homem estranho, profissional do desenho em corpos, aguardava pacientemente que Dilermando dissesse a que veio.
- Você é que é o artista? O tatuador?
- Falou!
-E quanto custa, é por desenho ou você cobra por hora?
- Por desenho...
- Eu quero esse desenho aqui...
E apontou uma foto de um dragão tatuado nas costas de alguém
- Tá certo, vai fazer agora? Então tira a camisa e deita ai na maca porque o trabalho é demorado e se “tu for dos fracos pra dor”, vai demorar mais... Vai ter que fazer em mais de uma sessão, esse desenho é grande.
- Não, tudo bem, eu aguento bem...
Deitou-se de costas para cima na maca após tirar a camisa e fechou os olhos.
Quase quatro semanas depois, já com o dragão em fase final de cicatrização ele começou a ter pesadelos esquisitos. Logo após pegar no sono, ele sonhava que o dragão pulava de suas costas e ficava diante da porta, bem no meio do quarto sacudindo sua cauda escamosa e brilhante enquanto abria aquela boca de inferno e soltava fogo pelas ventas. Um horror. E o pior de tudo era o olhar apaixonado do bichão que o hipnotizava até que ele ficasse bem quieto e parasse de gritar, afinal eles tinham que firmar aquela amizade, pois agora eles habitavam um só corpo...